Feliz Dia das Mães

Adoro conhecer mães recém-nascidas, ver o olhar embaçado pelo sono e pela incredulidade ao perceberem que existe um trabalho tão fantástico e exorbitante como esse. Sim, porque mãe é trabalho: pouco reconhecido, mal-remunerado e emocionalmente carregado. Quando você leva a sério, ganha o título levemente irônico de ‘super-mãe’ que insinua uma abnegação exagerada. Quando você delega demais acaba perdendo a autoria e se vê discutindo rotinas, horários, cardápios e sistemas de recompensa que funcionam meia-boca como o gerenciamento das empresas. De modo geral, acabamos torturadas entre dois extremos: não dá mais para ser só mãe, e deixar de sê-la, mesmo que por algumas horas por dia, poucas conseguem de verdade.
Conheço muitas mães que se realizaram usando slings: ganhando sua vida de volta sem deixar de dar colo e aconchego ao seu bebê. Eu fiz a mesma coisa. Hoje, no terceiro filho, não faço mais: minha felicidade e a do meu bebê é pouco, eu quero muito mais.
Não quero ver mães com bebês nos slings lavando pratos “porque é possível”. Mães com bebês subindo em ônibus, indo trabalhar porque com o sling ela pode atender ao seu bebê e exercer sua profissão ao mesmo tempo. Ela pode amamentar com discrição. Ela pode ninar o bebê enquanto sua mão mede um parapeito, rabisca uma idéia ou termina um relatório no computador. Em última análise, isso é muito bom para nós mesmas, mas não acrescenta nada ao já sobrecarregado papel de mãe.
Quero ver mães com bebês nos slings pedir mais tempo para poder simplesmente estar com seus bebês. Exigir creches e ambientes de trabalho customizados: ao longo do dia, pausas para maternagem.
Quero ver mães expressando seus sentimentos sem medo de perderem sua identidade – pois aquela mulher sem filhos não existe mais. Sem medo de nunca mais serem magras o suficiente, jovens o bastante, arrumadas e livres o bastante para voltarem ao mundo dos adultos… ao banco da frente do carro.
Quero ver mães com bebês nos slings levantarem bandeiras e defenderem causas.
Quero ver mães com bebês nos slings contribuírem para o país, dessa forma meio desmemoriada que às vezes falamos quando temos crianças pequenas, mas nem por isso menos válida. Quero tudo que uma mãe merece e ela merece muito.
Portanto, sim, você pode lavar roupa com seu bebê no sling… mas lave somente se quiser, pois você também pode voltar ao escritório. Mas volte se quiser, pois se não quiser, você pode dedicar-se a ser mãe e reinventar sua profissão, seu caráter, sua persona… como tantas fizemos.
E quem sabe nossos filhos e filhas não usem mais dicotomias: trabalho versus maternidade, individualidade versus doação, cabeleireiro versus praçinha, mas vejam a criação da próxima geração com parte da vida deste planeta. Ou quem sabe, nossos netos.

Fotos by mães orgulhosas de: Maria Paula, Teo, Julia, Bruna, Paola e Roseleninhas (Isabela, Bia e Helô)

2 thoughts on “Feliz Dia das Mães

  1. Muito bom !!!
    Ajudou a liberar muitas das angústias pelas quais meu coração “grávido” e prestes a parir tem passado.
    Obrigada pelo toque (e também pelo sling que recebemos em casa e amamos!).
    Carol e Fábio a espera de Tom (40ª/41ª semana)

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